Reabilitação vestibular

Vocês já repararam que eu indico reabilitação vestibular/labiríntica para vários tipos de tontura, não é? Neste post vou explicar mais sobre esse tratamento e porque ele é tão importante. Este é um texto detalhado, mas se quiser um texto rápido, clique aqui.

COMPENSAÇÃO CENTRAL

O seu objetivo é atingir a compensação central, que é o mecanismo corporal que reestabelece o equilíbrio após qualquer lesão vestibular. Ela só é possível graças à plasticidade neuronal do sistema nervoso central, ou seja, capacidade dos neurônios de aumentar ou diminuir sua atividade, permitindo adaptação e reorganização da dinâmica do sistema nervoso frente às alterações ocorridas (doenças do labirinto).  

PILARES E REFLEXOS

A reabilitação vestibular se baseia em 3 pilares, a saber: substituição, habituação, e adaptação.

A habituação consiste em acostumar seu corpo a determinada atividade, para que ela passe a não provocar tontura. Por exemplo, é comum que movimentos da cabeça desencadeiam tontura em quem tem hipofunção vestibular, mas isso pode ser mudado com os exercícios de habituação.

Figura 1- exemplos de exercícios de habituação.

Já a substituição é estimular outros sistemas envolvidos no equilíbrio (visão e propriocepção), para que eles possam substituir a função de um sistema vestibular lesado. No caso de hipofunção vestibular, estimulamos e ensinamos o paciente a usar a visão, o tato e a sensibilidade dos membros para se localizar no espaço e evitar quedas. 

Figura 2- Exemplos de exercícios de substituição.

A adaptação, por sua vez,  é o processo mais complexo, pois envolve a acomodação do sistema vestibular frente a uma alteração, buscando uma nova harmonia. Em geral, acontece através de dois reflexos: o vestibulo-ocular, que promove a estabilização da imagem que enxergamos durante os movimentos da cabeça, de modo que a nossa visão não fique borrada (e sim fixa);  e o vestibuloespinhal, que promove a  estabilização da cabeça, da postura e do centro de equilíbrio durante o movimento do nosso corpo, de maneira que mantenhamos nossa marcha adequada. Trabalhando esses dois reflexos, melhoramos a visão e a posição da cabeça, principalmente quando nos movimentamos, o que diminui a sensação de tontura.

Figura 3- Reflexo vestibulo-ocular
Figura4- Exemplo de exercícios de adaptação
Figura5- Integração do labirinto, reflexo vestibulo-ocular e reflexo vestibulo espinhal para manutenção do equilíbrio

SESSÕES

Os exercícios são prescritos individualmente, de acordo com as queixas de cada paciente, e numa crescente de dificuldade, de modo que o paciente vá adquirindo e melhorando suas habilidades de equilíbrio a cada nova sessão. A quantidade de sessões necessárias também é individual.

Os exercícios são feitos durante a sessão, mas também em casa, já que a repetição é essencial para aquisição de novas habilidades pelo nosso corpo. Por isso, a adesão do paciente é essencial para uma boa resposta a essa terapia.

Pode ser realizada por médico otorrinolaringologista, por fonoaudiólogo ou por fisioterapeuta.

OUTRAS ÁREAS TRABALHADAS

Além disso, também são feitas as manobras de reposição dos otólitos no caso de VPPB. 

Muitas vezes é necessário trabalhar funções cognitivas, como a atenção, memória, intenção e percepção.

INFLUÊNCIAS

Alguns fatores prejudicam a compensação vestibular, principalmente idade avançada, sedentarismo, vícios e erros alimentares, lesões do sistema nervoso central, pessimismo, baixa aderência do paciente aos exercícios. Outros fatores podem levar a uma nova descompensação, tais como: estresse e fadiga, lesões de tronco encefálico e/ou cerebelo, distúrbios metabólicos e/ou vasculares, por isso devem ser sempre investigados.

Dra Kênia Assis Chaves

Médica Otorrinolaringologista

CRMMG 52018

RQE 33072

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