Zumbido começa no ouvido, mas se perpetua no cérebro

Parece estranho ler isso, não é?

Muitas pessoas acreditam que o zumbido é apenas um problema do ouvido. Mas a ciência já mostrou que, embora ele geralmente comece no ouvido, é no cérebro que ele se mantém e se torna um sintoma persistente.

Vou explicar de forma simples.

Como funciona a audição normal?

Quando ouvimos um som, ele é captado pelo ouvido e transformado em um sinal elétrico, que percorre os nervos auditivos até chegar ao cérebro. É no cérebro que o som é realmente interpretado.

Tudo funciona como um sistema organizado e equilibrado.

O que acontece para surgir o zumbido?

Para que o zumbido apareça, geralmente ocorre alguma lesão na via auditiva, como por exemplo:

  • Perda auditiva
  • Exposição a ruído intenso
  • Inflamações do ouvido
  • Alterações metabólicas

Quando existe essa lesão, o sinal elétrico que chega ao cérebro fica alterado.

O cérebro percebe que algo está “faltando” ou funcionando de forma diferente e tenta compensar essa falha. Ele faz isso através de:

  • Hiperexcitabilidade dos neurônios auditivos
  • Alterações em neurotransmissores como GABA, glicina e glutamato
  • Aumento da atenção dada à via auditiva

Nesse momento, a pessoa pode até escutar o zumbido, mas ainda não necessariamente se incomoda com ele.

Quando o zumbido passa a incomodar?

O problema maior surge quando o cérebro cria conexões entre a área auditiva e áreas não auditivas, como:

  • Sistema límbico (responsável pelas emoções)
  • Áreas da memória
  • Áreas do sono
  • Áreas da atenção

Quando isso acontece, o zumbido deixa de ser apenas um som e passa a ser um sintoma emocionalmente carregado, associado a:

  • Ansiedade
  • Irritação
  • Insônia
  • Dificuldade de concentração
  • Sofrimento constante

É nesse momento que o zumbido se cronifica.

É possível reverter esse processo?

Sim, mas o tratamento precisa seguir uma lógica.

O tratamento do zumbido envolve dois grandes passos:

1️⃣ Tratar a causa da lesão auditiva

É fundamental investigar e tratar o que desencadeou o zumbido:

  • Perda auditiva
  • Deficiências nutricionais
  • Inflamações
  • Alterações metabólicas
  • Distúrbios do sono, entre outros

Sem essa etapa, o cérebro continua recebendo sinais alterados.

2️⃣ Desfazer os mecanismos compensatórios do cérebro

Também precisamos agir sobre os mecanismos que o cérebro criou para compensar a lesão, incluindo:

  • Redução da hiperexcitabilidade neuronal
  • Reequilíbrio dos neurotransmissores
  • Desconexão entre córtex auditivo e áreas emocionais

Isso pode ser feito através de:

  • Neuromodulação bioquímica (medicações específicas)
  • Neuromodulação física, como:
    • Estimulação transcraniana (tDCS)
    • Estimulação do nervo vago (tVNS)
    • Laser terapêutico
  • Psicoterapia
  • Terapias comportamentais

O tratamento do zumbido tem lógica e técnica

Zumbido não é “coisa da sua cabeça”, mas também não é apenas do ouvido. É um processo neurofisiológico complexo que precisa ser tratado com estratégia, conhecimento e individualização.

Existe técnica, ciência e abordagem estruturada para tratar o zumbido.

Se você convive com esse sintoma e sente que ele tem afetado sua qualidade de vida, procure avaliação especializada.

👉 Agende sua consulta com um otoneurologista e trate seu zumbido com quem entende do assunto.

Dra Kênia Assis Chaves

Médica otorrinolaringologista

CRMMG 52018

RQE 33072

Kenia Assis Chaves - Doctoralia.com.br

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