Saiba como usar remédios de labirintite

Existe uma crença popular que diz que labirinite não tem cura e tem que tomar remédio a vida toda. Por isso foram surgindo muitos casos de sequelas e efeitos colaterais muito importantes dessas medicações. Entao neste post vou falar sobre o uso seguro e efiente dessas medicações através de 5 regras básicas.

Antes de iniciar o texto, que atenção para alguns aspectos:

  1. Esté é um texto apenas informativo sobre dados técnicos das medicações e não substitui consulta. 
  2. O objetivo desse texto é informar sobre perigos de uso crônico dessas medicações e da automedicação.
  3. Não vou receitar remédio e não vou analisar caso clínico de nenhum paciente na neste texto. Quem vai definir se você precisa de remedio e qual melhor remédio para vc é seu médico, numa consulta. 
  4. Este texto é direcionado para pacientes (e não para profissionais de saúde), por isso não vou falar nome comercial, nem dose, nem indicação dessas medicações.

REGRA GERAL 1: O princial objetivo do tratamento das vestibulopatias é corrigir ou eliminar a causa da tontura. Os medicamentos são usados com a finalidade de minimizar os sintomas neurovegetativos e acelerar a compensação vestibular. Desse modo, o uso de medicamentos é a terapia de apoio e não a resolução dos problemas.

O tratamento definitivo da labirintite só vai ser feito depois de investigar a causa do problema e aí sim eliminá-lo ou corrigi-lo. As medicações vão ajudar na face inicial, para controlarmos os sintomas e dar tempo para investigar a causa e começar a tratá-la. Ou seja, as medicações não são a solução da labirintite!

O que é compensação vestibular?

Vamos lembrar que vários órgãos (além do labirinto) são responsáveis pelo nosso equilíbrio: visão, propriocepção (capacidade de sabermos a posição do nosso corpo e dos nossos membros mesmo quando estamos de olhos fechados), cérebro (centros vestibulares centrais). Quando temos um doença do labirinto, acontece um reajuste dos outros órgãos, de modo que o equilíbrio seja reestabelecido e os sintomas sejam eliminados, o que só acontece depois de alguns dias da crise de labirintite.

Toda labitintite tem 2 fases, uma aguda e uma crônica , e as medicações são diferentes em cada fase.

Fase aguda da labirintite: fase de muita tontura, rotatória (vertigem), incapacitante, acompanhada de náuseas e vômitos, que leva o paciente ao hospital ou a ficar em repouso. Nessa fase, usamos medicações de efeito rápido e mais potentes, os chamados sedativos vestibulares. Eles tiram o paciente da crise, mas atrapalham a compensação central, por isso só podem ser usados nos primeiros dias.

Fase crônica da labirintite: fase de sintomas mais leves, com desequlíbrio e mal estar, mas que não impedem atividades diárias do paciente. Nesse momento, usamos remédios mais leves, de inicío de ação mais lenta, mas que ajudam a compensação vestibular ( e a reabilitacao vestibular)

REGRA GERAL 2: Usamos medicações sedativas vestibulares apenas nas crises, no menor tempo necessário.

Agora vamos conhecer os efeitos colaterais dos principais remédios usados para labirintite.

Efeitos colaterais importantes dos prinicipais remedios

Cinarizina/Flunarizina: 

  • Indicação: vertigem e náusea leve a moderada, cinetose
  • Demora horas para fazer efeito, por isso é mais eficiente na pós-crise que na crise
  • Efeitos colaterais: pouca sedação, mas ganho de peso, obesidade, depressao e sindrome parkinsoniana (IDOSOS), alteracoes menstruais, disturbios do metabolismo da glicose
  • Atrapalha compensação central

Dihidroergocristina:

  • Disponível em associação a flunarizina, muito indicado para enxaqueca

Betaistina:

  • Efeitos colaterais: asma, perturbacao gastrointestinais, cefaleia e rash cutâneo
  • Contra-indicaçõees: feocromocitoma, asma e doenca ulcerosa peptica
  • Vantagens: ação facilitadora da compensação central (permite uso crônico e associado a reabilitação vestibular) , permite associação com outras medicaçõees  
  • Eesvantagem:demora para fazer efeito, por isso nao deve ser usada na fase aguda

Ginko biloba:

  • Efeitos colaterais: rubor facial e cefaleia-
  • Risco de sangramento: não deve ser usada junto com outras medicações que aumentam sangramento, nem próximo a cirurgias, nem em pacientes com risco de sangramento
  • Baixa potência
  • Não atrapalha compensação cecntral, por isso pode ser usado crônicamente e junto com reabilitação vestibular

Meclizina:

  • Indicados para vertigem leve e profilaxia de cinetose (tomar 1h antes de viagem)
  • ação máxima 2-6h depois da ingestão 
  • Vantagem: menos sedacao que os outros,
  • Efeito colateral: Boca seca

Dimenidronato:

  • indicacao: vertigens e náuseas moderadas
  • Efeitos colaterais: sedacao moderada, boca seca
  • Contra-indicao:glaucoma, retenção urinaria (hiperplasia prostatica) e asma (enfisema e quaquer doença pulmonar)

Prometazina:

  • Indicação: náuseas e vômitos de grande intensidade, quando a sedação for aceitável
  • Efeitos colaterais: sedacao, boca seca, visao embaçaada, hipotensao ortostática, raramente distonia ou sintoms parkinsonianos

Metoclopramida:

  • Indicação: tem ação apenas nas náuseas e vômitos, não tem ação no labirinto (precisa associar outra medicação com ação labirintica)
  • Efeitos colaterais: distonia, principalmente em criancas, inquietação, sonolência, fagida, letargia, sintomas parkinsonianaos e discinesia tardia, miose

Domperidona:

  • Potente acao antiemetica (acao direta no centro cerebral do vômito) .
  • Efeitos colaterais : Sonolência , efeitos endócrinos e extrapiramidais, 

Ondasetrona:

  • Muito potente para inibir vômitos, mas poucos efeito vestibular leve
  • Não afeta compensação vestibular
  • Contra-indicação: gravidez, alergia
  • Efeitos adversos: constipação, cefaleia, sensação de calor ou rubor na cabeça ou epigastrio

Escopolamina:

  • indicação: poderoso antiemetico, sendo usado para vômitos intensos, eprofilaxia para cinetose
  • Efeitos colaterias: sedacao leve, boca seca, PERDA DE MEMORIA E ALUCINACOES ( principalmente em idosos), taquicardia, 
  • Contra-indicação: retenção urinaria, glaucoma
  • Possivel abstinência quando usado por mais de 3 dias (náuseas, desequilíbiro e cefaléia)

Diazepam:

  • medicação de uso controlado que precisa de receita especial e retenção de receita
  • meia vida 24-48h, efeito maximo 2h após uso oral e imediato apos injeção
  • indicaçãoo:quando sedaçãoo e efeito ansiolítico são desejados, quadros de ansiedade
  • Efeitos colateraiss: sedação, sonolência, letargia, amento do risco de quedas (idosos), dependência, APNEIA E CARADA CARDIACA se doses altas EV (principalmente em paciente com doença pulmonar)
  • Possiveis sintomas de abastinencia :nerovosismo,  ansiedade, disturbio do sono, crises convulsivas

Lorazepam:

  • meia vida mais curta que diazepam (9-19h), os demais aspectos são iguais ao diazepam 

Antidepressivos:

  • Uso controlado, precisam de receita médica e retenção da receita
  • triciclicos :amitriptilina e nortriptilina
  • inibidores seletivos da recaptacao da serotonina: sertralina, fluoxetina, paroxetina, citalopram
  • ou inibidores da recapcao da serotonina e norepinefrina: venlafaxina e desvenlafaxina
  • Efeitos colaterais: boca seca, disfuncao sexual, cefaleia, insonia e nauseas

Um conceito importante é que quanto maior o tempo de uso e maior a dose, mais efeitos colaterais são esperados. O mesmo acontece quando associamos medicações, principalmente se forem da mesma classe.

REGRA GERAL 3: use apenas medicação prescrita pelo seu médico, devido a muitas contra-indicações e muitos efeitos colaterais possíveis

Como as doenças do labirinto são muitas e muito diferentes entre sim, é de se esperar que algumas doenças precisem de remédios e outras não.

Patologias que não devem ser tratadas com remédios: VPPB (vertigem paroxísitica posicional benigna ou labirintite dos cristais) , hipofunção vestibular bilateral, hipofunção vestibular unilateral, tonturas crônicas de causa nã-labirintíca (causas cervicais, metabólicas, etc)

Patologias que precisam de remédios: cinetose, sindrome de meniere, TPPP (tontura postural perceptual persistente, enxaqueca.

REGRA GERAL 4: Nem toda tontura precisa de remédio.

Então já que o remédio não é a cura da labirintite, quais são os outros tratamentos possíveis?

  • Reabilitação vestibular: exercícios que trabalham o equilíbrio e estimulam a compensação vestibular central;
  • Psicoterapia: principalmente nos casos causados ou piorados por ansiedade, como a TPPP;
  • Fisioterapia: principalmente nos casos de doenças cervicais;
  • Atividade física: trabalha bastante nosso equilíbrio (mesmo sem percebemos), além de ajudar a controlar os fatores metabólicos, fortalecer os músculos do tronco e evitar quedas;
  • Mudança de hábitos alimentares: acompanhamento com nutricionista e endocrinologista é essencial nos casos de deonças metabólicas , com diabetes e doenças da tireóde.
  • Mudanca de habitos de vida: melhorar os habtiso de sono, introduzir atividades de relaxamento, organizar a rotina, acabar com vícios (cigarro e álcool) etc

REGRA GERAL 5: Procure alternativas não medicamentosas para tratamento de longo prazo.

Kênia Assis Chaves

Médica Otorrinolaringologista

CRMMG 52018 RQE 33072

Agende sua consulta aqui.

Posts recentes

Marque sua consulta:

Kenia Assis Chaves - Doctoralia.com.br

Entre em contato:

Local de Atendimento

Endereço: Consultório, Rua Professor Benjamin Coluci 100, Juiz de Fora

Telefone principal e Whatsapp : (32) 998457-1323

Outros Telefones: (32) 3215-7064 ou (32) 3313-6007

×

Powered by WhatsApp Chat

× Como posso te ajudar?