Você sente incômodo com sons que a maioria das pessoas nem percebe?
O barulho dos talheres, da mastigação, de uma conversa ao lado ou até o som do trânsito te irritam, provocam ansiedade, raiva ou até dor física?
Se isso está te atrapalhando a viver bem, pode ser hipersensibilidade auditiva — e o mais importante: ela tem tratamento!
O que é hipersensibilidade auditiva
A hipersensibilidade auditiva não é frescura.
Ela ocorre quando o cérebro reage de forma exagerada a sons do dia a dia, provocando desconforto, irritação ou dor. Em muitos casos, o paciente começa a evitar ambientes sociais, trabalho ou lazer, o que impacta diretamente a qualidade de vida.
Já acompanhei pacientes que precisaram trabalhar de casa por não suportarem o barulho do escritório, ou que deixaram de participar de refeições em família. Outros chegaram a investir em isolamento acústico e até mudar de casa — e o problema persistia.
Tipos de hipersensibilidade auditiva
Existem dois tipos principais:
🔹 Misofonia
É o incômodo com sons baixos e repetitivos, como mastigação, digitação, respiração, talheres ou caneta batendo na mesa.
Geralmente há um fundo emocional forte, e a reação pode incluir raiva, irritação intensa ou ansiedade.
🔹 Hiperacusia
É o incômodo (ou até dor) com sons mais altos, como buzinas, gritos, música ou motos.
Nesse caso, o problema precisa ser investigado com cuidado, pois pode estar relacionado a outras condições, como:
- perda auditiva,
- zumbido,
- ansiedade e depressão,
- epilepsia,
- alterações metabólicas,
- e até tumores.
Como é feito o diagnóstico
Um dos exames usados é o LDL (limiar de desconforto a sons).
Ele avalia em que volume o som passa a ser incômodo.
Na misofonia, o LDL geralmente é normal; já na hiperacusia, ele costuma vir alterado.
Além disso, é importante uma avaliação otoneurológica completa, que envolve testes auditivos, análise do histórico clínico e investigação de fatores emocionais e metabólicos.
Tratamento: há solução sim!
O tratamento é sempre individualizado, mas costuma envolver quatro pilares principais:
1. Regulação neuroquímica
Neurotransmissores como GABA e glutamato estão ligados à irritabilidade com sons.
O equilíbrio pode ser restaurado com medicamentos, quando necessário, e com suplementos naturais (como glicina, taurina, L-teanina, melissa, valeriana e lavanda) — sempre com acompanhamento médico.
Nada de automedicação: mesmo substâncias naturais têm efeitos colaterais e contraindicações.
2. Dessensibilização sonora
Feita com acompanhamento de uma fonoaudióloga especializada, essa técnica expõe gradualmente o paciente aos sons que causam desconforto, em ambiente controlado, para o cérebro reaprender a processá-los.
Jamais tente fazer isso sozinho — o excesso de exposição pode piorar o quadro.
3. Psicoterapia
Quando há ansiedade, estresse ou gatilhos emocionais envolvidos, a psicoterapia é fundamental.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ajuda a reduzir a resposta emocional aos sons e melhora o controle das reações.
4. Neuromodulação
Técnicas como a estimulação do nervo vago auricular e a estimulação transcraniana por corrente contínua auxiliam no equilíbrio do sistema nervoso, promovendo relaxamento e melhorando a forma como o cérebro processa sons e emoções.
Conclusão: é possível voltar a ter uma vida leve
Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que terão que conviver com esse incômodo para sempre.
Mas com avaliação correta e tratamento multidisciplinar, é possível recuperar o conforto sonoro e a qualidade de vida.
Se você se identificou com esses sintomas, não sofra em silêncio.
Agende sua consulta — vamos investigar juntos e encontrar o melhor caminho para o seu caso.
Dra Kênia Assis Chaves
Médica otorrinolaringologista
CRMMG 52018
RQE 33072